Eu poderia hoje fazer um texto triste, falando de lutas e dramas do cotidiano feminino. Poderia falar sobre o os nossos direitos e sobre as causas que defendemos, mas para fugir do clichê e ser mais justa decidi fazer diferente e optei por palavras que combinassem mais com o público deste site. Preferi um discurso otimista, pois é otimismo o sentimento que me vem quando penso neste público. Hoje nós merecemos um discurso que diga o quanto somos singulares, cada uma na área que escolhemos atuar, no segmento que representamos. Nada de discurso triste. O dia é de homenagem!

E como é especial ser mulher! Temos uma intuição muito poderosa, entendemos um olhar muito facilmente, conseguimos fazer várias coisas ao mesmo tempo, com agilidade, sensatez e perfeição. Podemos pintar o rosto e o cabelo, podemos ficar triste, ter medo. Falar sobre o que sentimos. Confessar que erramos.  Ser fresca e ser fraca.

Somos um pequeno universo com todas as suas particularidades e complexidades regado de hormônios que regulam nosso humor, que nos concedem a feminilidade e que não atrapalham a luta pelas nossas convicções.

Sim, os hormônios! Sinceramente acredito que passamos a ser mais plenas ao descobrirmos que, para ser uma mulher moderna, de sucesso, com saúde e feliz, é necessário reconhecer que as mudanças de humor são um instrumento útil. É verdade, senhoras e senhores, a instabilidade no humor não nos faz esquecer que somos nós quem determinamos como devemos agir diante de circunstâncias diversas e adversas, que nos permitiu aprender a controlar melhor as nossas emoções. Um autocontrole que nos faz sorrir quando estamos a ponto de explodir e que nos permite engolir o choro, quando o momento pede para ser forte.

 Isto é ser mulher. É descobrir que temos uma força que jamais imaginávamos que tivéssemos. Que brigamos por nossas demandas, mas temos uma capacidade de compaixão imensa. Que somos doces, mas sabemos ser amargas quando nos é necessário. Sim, somos ao mesmo tempo leoa e ovelha, fada e bruxa, lados antagônicos que podemos acessar diante das conveniências, quando nossa intenção é fazer justiça.

Somos sensíveis, mas criteriosas. Analisamos no dia-a-dia a melhor maneira de demonstrar o que pensamos e, mais cuidadosamente, o que sentimos. É por isso que somos capazes de administrar os mais exigentes cargos empresariais, públicos, domésticos e, de quebra, sermos mães. Tem mais. Além de tudo isso, ainda nos sentimos lindas exatamente como somos, e nos divertimos com flores cor-de-rosa, máscara para cílios e vestidos rodados.

Temos falha? Claro. Contudo, Khalil Gibran, saiu em nossa defesa ao dizer que ‘quem não sabe aceitar as pequenas falhas das mulheres não aproveitará suas grandes virtudes’. Pode parecer meio presunçoso, mas às vezes penso que se não fossem as mulheres, o homem ainda estaria agachado em uma caverna comendo carne crua.

É verdade. Somos nós que fazemos dos legados mais difíceis, conquistas fáceis e memoráveis. E mesmo com todas estas facetas, ainda arranjamos tempo para ir à manicure, ao cabeleireiro, cuidar da família, comprar presentes, ir ao shopping, fazer aquela receita nova, ouvir e chorar com uma amiga.

Esse, meus caros, é o retrato da mulher que eu queria trazer hoje. Não duvidem que é assim que eu a vejo, ipsi literis como eu descrevi, com todas os adjetivos, vírgulas e pontos.

E para resumir tudo que foi dito, um  poeminha do escritor mineiro contemporâneo, Mário Nhardes:

“A mulher é uma incógnita,
Um monumento à dúvida.
Num dia é linda,
No outro, mais ainda.”

As fotos a seguir são de evento realizado pela Prefeitura de Barras em homenagem ás mulheres.