Continua parada no Tribunal de Justiça do Piauí a ação do Ministério Público Estadual, que tem como alvo o policial civil e ex-prefeito Ronaldo Lages (foto abaixo), de Nossa Senhora dos Remédios.

Desta vez, pelo movimento do advogado Gustavo Brito Uchôa, que renunciou seu mandato na ação, às vésperas de uma das audiências no processo, para análise de embargos de declaração. Apesar da manobra, o defensor continua a atuar em outras causas de Ronaldo na Justiça.

Nesta ação, Ronaldo Lages foi condenado em primeira instância por efetuar disparos de arma de fogo em via pública, justo durante os festejos da cidade, evento que reúne milhares de pessoas.
Após ouvirem os estampidos, os policiais militares que acompanhavam o evento, em dezembro de 2017, avistaram Ronaldo segurando com uma das mãos uma arma de fogo, pertencente à Polícia Civil, e noutro, um copo. Os depoimentos prestados dão conta ainda que o acusado tentou resistir à prisão.

Ex-prefeito durante abordagem policial após disparo em festa

Após recurso da defesa junto ao Tribunal de Justiça do Piauí, ele ainda conseguiu que a sentença fosse reformada, em parte. Mesmo assim, foi mantida a condenação de três anos, dez meses e vinte dias de reclusão em regime fechado. Antes de deixar o caso, o advogado Gustavo Uchôa ainda interpôs embargos de declaração, que só serão analisados pela 2ª Câmara Especializada Criminal quando Ronaldo Lages constituir novo procurador. E, se assim não o fizer, o caso será levado para a Defensoria Pública, o que prolongaria ainda mais o processo.
Outros processos de Ronaldo
Quando o juiz Ulysses Gonçalves da Silva Neto determinou a prisão preventiva de Ronaldo Lages, em 2017, pelos disparos em via pública, o magistrado levou em consideração o histórico do acusado e “a postura que vem sendo manifestada pelo investigado é a de absoluto desdém ao Poder Judiciário, de sorte a, em tese, não cessar posturas vulneradoras da ordem pública, mesmo após muitas condenações criminais”, como diz a sentença da época.
Uma das condenações é referente à morte da biomédica Joysa Barros, em 2013, vítima de um acidente de trânsito. O veículo onde ela estava com o namorado foi colhido violentamente pela picape conduzida por Ronaldo Lages, que foi indiciado por homicídio doloso e também por lesão corporal.
Contra Ronaldo, no histórico, há ainda acusações de crime contra a honra de agente da autoridade policial, porte ilegal de arma de uso restrito, e há também processo na Justiça Eleitoral. Em fevereiro deste ano, foi condenado pela 3ª Vara da Justiça Federal à devolução de recursos à Fundação Nacional de Saúde, pela não prestação de contas de convênio firmado à época em que foi prefeito de Nossa Senhora dos Remédios.
Trama contra o atual prefeito
Recentemente, teve seu nome citado pelo advogado Virgílio Bacelar, assessor jurídico da Câmara de Vereadores de Nossa Senhora dos Remédios, em um áudio obtido pelo 180graus, na qual o advogado negocia com um vereador voto no processo de impeachment aberto contra o atual prefeito, Manoel Lázaro.
“Eu estava pensando o seguinte, não sei como você está lá, já falei com o Ronaldo, com os meninos tudinho… A menina [vice-prefeita] já disse, já falou comigo, que caso ele seja cassado não assume, entra de licença, o presidente da Câmara é quem assume, como já está no terceiro ano, tem uma eleição indireta, pela Câmara só… Dando certo isso, vai ter uma eleição indireta na Câmara e a gente negocia, porque eleição indireta tem que ter o prefeito e o vice e a gente negocia isso ai na eleição indireta”, traz o áudio.
A menina é a vice-prefeita Luanna Lages, filha de Ronaldo Lages, que foi eleita ao lado de Manoel Lázaro, mas os grupos políticos acabaram rompendo ao longo do mandato, até que ela renunciou ao cargo.