Após a repercussão da denúncia de Wildson Fernandes, morador da Rua da Prainha, área de alagamento de Barras, sobre a ausência de atendimento e cadastramento das famílias, a prefeitura de Barras enviou assistentes sociais para o bairro.

“Agora sim, o serviço está correto”, disse o morador!

Atualizado às 13:40 do dia 25/03/2020

Barras: morador da Prainha denuncia falta de atendimento e cadastramento de famílias alagadas

Morador da Rua da Prainha, área de alagamento de Barras, Wildson Fernandes, fez uma denúncia muito grave nesta terça-feira (24). As famílias da região não estão sendo assistidas pela administração do município com relação ao recebimento de kits de limpeza e cestas básicas e, nem tampouco, sendo cadastradas.

“No Riachinho, as famílias que saíram e foram pra casas de parentes estão desassistidas pelo poder público. Nenhuma cesta e nem produtos de limpezas receberam. Uma assistente andou na rua que tem mais de 16 casas de canoa, fez três cadastros e desses três uma só recebeu uma cesta porque está em uma escola do bairro Boa Vista”, relatou Wildson, lembrando que a demora na remoção faz as pessoas saírem de casa espontaneamente e não esperarem os carros da prefeitura.

COMITÊ DE CRISE DIZ QUE SÓ AS ASSISTENTES SOCIAIS FAZEM O CADASTRO

As pessoas que não esperam pela remoção dos carros da prefeitura de Barras não estão sendo cadastradas e nem constam nas estatísticas oficiais da Defesa Civil. Isso porque depois que saem, não têm onde se cadastrar e pelo visto, a assistência social do município não listou os moradores antes de eles se retirarem dos locais.

A controladora do município, Leonilda Teixeira, explicou que realmente o comitê de crise não pode fazer cadastramento. Ela disse que as assistentes sociais estavam fazendo um trabalho preventivo, mas que ninguém quis sair das casas.

Critérios para recebimento definidos em reunião

 

O ideal seria que as profissionais tivessem feito o cadastramento nesse momento do trabalho preventivo. Dessa forma, quando as pessoas fossem buscar cestas básicas, o comitê de crise já soubesse quem realmente tem necessidade.

“A assistente social não faz o cadastro na base porque ela não tem como comprovar nem onde ela mora e nem se ela saiu realmente de casa. existem muitas pessoas que se aproveitam. A pessoa quando for sair por conta própria tem que ligar, avisando que sair. Isso foi decidido em reunião e lavrado em ata, assim como os critérios de distribuição de kits”, disse Leonilda Teixeira.

O que o comitê mostra, ainda, é que os dados colhidos no ano passado ou nos anos anteriores não estão sendo acessados ou considerados. Era para a assistência social já ter um banco de dados com todas as famílias moradoras das áreas de risco, as mais necessitadas já que as enchentes são uma situação recorrente e sazonal. Mas pela fala da controladora, a prefeitura não tem esse controle.

“Deixamos ainda claro que as pessoas que saíram por conta própria têm que ter quesito de vulnerabilidades social. Ou seja seja realmente encaixada porque existem casos de pessoas, comerciantes, que possuem empregos tem situação estabilizada que saíram de casa e estão procurando cestas. Estas não se encaixam nos critérios Estamos tendo maior cuidado com isto”, disse ao longah.

Sobre a redução de cadastramentos in loco, Leonilda explicou que nessa semana, houve uma procura bem maior de remoção e o contingente de pessoal estava menor. “Todo mundo querendo sair de uma vez. Só na sexta-feira, foram 90 chamados”, conta.

FAMÍLIAS DA PRAINHA SE RECUSAM A SER DESLOCADO NO CARRO DO LIXO

Famílias da Rua da Prainha se unem para ajudar uns aos outros

Wildson Fernandes alertou também para o fato de carro do lixo estarem sendo utilizados para fazer a remoção de famílias alagadas. Na Rua da Prainha, onde ele mora, as famílias só não foram deslocadas porque se recusaram.

“É inadmissível. O poder público mandar um carro do lixo para fazer a remoção das famílias. Na hora que o pessoal viu o carro do lixo aqui, botou para correr. Mandou embora na mesma hora. Um carro cheio de micróbios, o que é isso? Se o pessoal tivesse ficado calado, eles teriam colocado as coisas dentro do carro do lixo e levado. A prefeitura não tem dinheiro para contratar carro?”, conta o morador.

Sobre esse ponto, o comitê de crise não se pronunciou.

MERENDA ESCOLAR NÃO ESTÁ SENDO DISTRIBUÍDA PARA DESABRIGADOS

O secretário de Cultura do município, Germano Filho, se pronunciou em aplicativo de mensagens nesta segunda-feira (23), afirmando que o prefeito Carlos Monte havia autorizado a distribuição de merenda escolar para as pessoas atingidas pelas enchente, já que as escolas do município estão de quarentena por conta do coronavírus. Leonilda Teixeira se pronunciou também sobre isso.

“Nunca houve esse tipo de distribuição. Já até foi cogitado, mas estamos esperando um segundo momento porque ainda está muito cedo porque são só 15 dias de paralisação das aulas, e acordo com o decreto. Havendo uma segunda situação, nós iremos chamar o conselho de merenda escolar para avaliar”, explicou.

Até o momento cem cestas básicas foram distribuídas para a população adquiridas com recursos próprios da prefeitura. O governo enviou 300 kits de limpeza e cestas básicas. estes é o que estão sendo distribuídos no momento.

Os números oficiais do comitê de crise, já que existem essas sub-notificações de famílias que não estão sendo cadastradas,  são de 120 famílias ou 1005 pessoas, conforme foi enviado para a nossa reportagem!