Após o pleito municipal de 2020 e a derrota do candidato à reeleição Carlos Monte (PTB), coincidência ou não, uma onda de afastamento de funcionários começou a acontecer no Hospital Regional Leônidas Melo (HRLM). Uma verdadeira caça às bruxas! Além da demissão, conforme eles contam, ainda passaram pela humilhação de receber a notícia por aplicativo de whatsapp.

A reportagem do longah não pode informar quantos funcionários foram realmente afastados, porque não conseguiu essa informação junto ao setor de recursos humanos e nem com a própria diretora do hospital, Laianne dos Santos.

Uma prestadora de serviço do HRLM que trabalha há cerca de 20 anos e foi afastada, estima que foram mais de dez pessoas. “Não sei precisamente quantas pessoas foram, mas sei que mais de dez foram, entre técnicos de enfermagem, vigias, serviços gerais , motoristas e técnicos em laboratório. Todos com cerca de de 20 anos de tempo de serviço”.

Os profissionais demitidos são pagos pelo Estado. “Todos nós somos profissionais competentes e passamos estes anos todos e ninguém mexeu com a gente. Entra governo e sai governo. Mas desta vez…“, lamenta a mãe de família.

“Funcionários que estão fora da escala não vão ser pagos”, dizia mensagem

A técnica relata que foi surpreendida pela mensagem de whatsapp. “O pior é que não fomos chamada nem para receber o aviso. O meu, por exemplo, foi uma mensagem encaminhada via whatsapp. Outros receberam ligação. Nenhum pouco de consideração. Triste, viu! “.

A ausência do nome na escala de trabalho foi o primeiro sinal de que algo estava acontecendo. Ao entrarem em contato com os chefes, receberam a resposta: “O hospital não vai pagar mais. A administração pediu para eu encaminhar para você essa informação. Quem não estiver na escala, nem precisa contatar a administração, já sabem o motivo”.

Funcionários da prefeitura estão sendo admitidos no hospital

Um profissional que tinha mais de 20 anos de serviços prestados ao hospital informou que muitas pessoas que trabalhavam na administração municipal estão sendo contratadas pelo Hospital Leônidas Melo.

“O prefeito Carlos Monte perdeu a eleição e pessoas que trabalhavam na gestão dele estão sendo contratadas pelo hospital para ocupar nosso lugar”, informou.

De acordo com esse funcionário, que pediu que resguardasse sua identidade, funcionários que trabalhavam na prefeitura de Barras, uma grande quantidade de apoiadores da campanha à reeleição de Carlos Monte, estão sendo admitidos.

“Uma das funcionárias é a companheira do atual secretário municipal de Administração, José Luís Castelo Branco, Valdinê Barbosa. Ela já se apresentou e já começou a trabalhar”, completa o profissional.

“Nós éramos pressionados a participar de eventos da agenda do Carlos Monte”

Outro funcionário que foi afastado, Bernardo Caldas, relata que havia muita pressão para que as pessoas participassem dos eventos de campanha do atual prefeito Carlos Monte, que era candidato á reeleição. “Havia uma exigência para que os funcionários admitissem que votavam no Carlos Monte, que levantassem a bandeira e vestissem a camisa vermelha“, comentou.

Bernardo lamenta pelos colegas que, muitos deles, só tinham aquela ocupação, e filhos para criar, e família para sustentar. “É muito injusto!”, diz.

“A Lei de Abuso de autoridade é bem clara ao dizer que atos se constituem crime de abuso de autoridade quando praticadas pelo agente público com a finalidade específica de prejudicar outrem ou beneficiar a si mesmo ou a terceiro, ou, ainda, por mero capricho ou satisfação pessoal”.

O outro lado

A diretora do HRLM, Laianne dos Santos é a segunda da direita para esquerda, de bermuda preta durante evento de campanha. Foto: divulgação no Facebook

Nossa reportagem entrou em contato com a diretora do HRLM, Laianne dos Santos (foto acima), mas esta não respondeu a mensagem.

Ligamos, ainda, para o profissional que trabalha no setor de Recursos Humanos do HRLM, identificado como Magalhães, mas este não atendeu a nossa ligação para informar quantos funcionários foram afastados e quantos ex-funcionários da prefeitura foram contratados.

Uma fonte que trabalha no hospital disse que estão acontecendo mudanças, mas que não é de agora, mas desde o início da pandemia. Que as pessoas que saíram são prestadores de serviços avulsos e não tem vínculo com o hospital. “São funcionários que foram aproveitados no período da reestatização do hospital, mas que agora podem estar sendo desligados para se adequarem à carga horária”.

A fonte que prefere não se identificar disse ainda que realmente estão contratando pessoas que trabalhavam do município, mas que estão ficando no lugar de funcionários que saíram porque foram convocadas em concurso público.

A convocação dos concursados aconteceu após o prefeito Carlos Monte perder a eleição.