O prefeito de Miguel Alves, Oliveira Júnior (foto), disse ao longah.com que o Hospital Municipal Pedro Vasconcelos tem garantido um recurso no valor de R$ 1 milhão para reforma. O valor vem de emenda parlamentar destinada pelo Deputado Oliveira Neto.

Conforme o prefeito, para o início da obra, só está faltando a liberação por parte da secretaria Estadual de Saúde. “Nosso hospital é municipalizado, mas o acordo firmado na municipalização com o governo não está sendo cumprido. Os funcionários só não estão há 18 meses sem receber o salário, porque a prefeitura está custeando com a verba do FPM”, explicou Oliveira Júnior, mostrando a realidade dos hospitais municipais do Piauí.

Oliveira Júnior lamentou a situação encontrada pelo Conselho Regional de Medicina do Piauí, mas garantiu que obteve uma resposta positiva do secretário de Saúde, Florentino Neto, de que na próxima semana, o recurso será liberado e a obra já pode ser iniciada.

O prefeito disse que a empresa que fará reforma já foi licitada e que ele já até assinou a ordem de serviço. “Em 90 dias, quero esse hospital reformado, mobiliado e com o e com centro cirúrgico reaberto”,

A empresa licitada só quer iniciar a obra com a liberação do recurso, informou o prefeito, mas garantiu também que na próxima sema essa obra sai “com ou sem dinheiro do estado. Se o R$ 1 milhão não sair, vou retirar dos cofres da prefeitura, mas quero esse hospital, que hoje é o meu calcanhar de Aquiles, reformado”, completou.

Atualizado às 14:30

CRM detecta insetos, profissionais sem EPIs, rachaduras e falta de remédios em hospital de Miguel Alves

Em vistorias recentes realizadas em dois municípios do norte do Estado, o Departamento de Fiscalização do Conselho Regional de Medicina do Piauí – CRM-PI encontrou diversas irregularidades, algumas delas idênticas à notificadas em outros municípios, como a queima de lixo hospitalar nas próprias dependências de unidades básicas de saúde. As cidades vistoriadas foram União e Miguel Alves.

No Hospital Municipal Pedro Vasconcelos, município de Miguel Alves, foram registradas muitas irregularidades. Para começar, o prédio possui várias rachaduras e infiltrações na estrutura, o que demonstra precário estado de conservação do bem público.

Diretora diz que hospital tem EPIs, mas profissionais se recusam a usar

Na área COVID-19 havia profissionais sem os EPIs obrigatórios, usando aventais inadequados conforme a nota técnica GVIMS/GGTES/ANVISA Nº 05/2020 e a área de desparamentação também é utilizada como depósito para materiais de limpeza, além de haver cruzamento de profissionais paramentados e desparamentados (foto abaixo).

A farmácia contava com algumas medicações, porém com falta de medicações para atendimento de urgência como dopamina, midazolam e bloqueadores musculares. Mofo nas paredes, insetos e lagartixas foram vistos na área interna, além de esgoto a céu aberto e galinhas circulando na área externa do hospital. Além disso, nas paredes da cozinha, os azulejos estão em parte caídos, contribuindo para o acúmulo de insetos e bactérias nas fissuras.

A fiscalização registrou que o hospital só possui um carrinho de parada para atendimento de todo hospital e que está incompleto, não há monitores para acompanhar sinais vitais, não há desfibrilador cardíaco, apenas DEA que tem uso restrito para atendimento de urgência, o laringoscópio não tem todas as lâminas obrigatórias e não há ventilador mecânico para uso em pacientes graves.

Único insumo para pacientes com insuficiência respiratória é cateter de oxigênio, não tendo máscaras não reinalantes ou cateter de alto fluxo para pacientes que necessitem de maior aporte de oxigênio. A lavanderia e o expurgo não possuem fluxo adequado, com risco de contaminação do vestuário e equipamentos estéreis. Os banheiros não contam com acessibilidade para cadeirantes e as instalações elétricas estão precárias.

Banheiros sem acessibilidade

A diretora geral do hospital, Leila Lira, informou ter todos os EPIs disponíveis, mas os profissionais se recusam a utilizar. O CRM-PI encaminhará notificação para que sejam providenciadas as correções das irregularidades. A equipe foi informada pela direção que uma reforma física se iniciará em breve, mas não informaram data de início.

EM UNIÃO, LIXO HOSPITALAR É INCINERADO

No município de União, a 65 km de Teresina, a Unidade Básica de Saúde Ana Nery, localizada no povoado David Caldas, o CRM-PI flagrou lixo hospitalar a céu aberto sendo incinerado, sem nenhum tipo de coleta adequada, problema idêntico registrado em fiscalização realizada em fevereiro no município de Bom Princípio do Piauí, sul do Estado. É a segunda vez que a UBS de União é flagrada continuando essa prática ilegal (a primeira foi em maio de 2019), oportunidade na qual a Secretaria Municipal de Saúde foi notificada e cobrada para as providências quanto ao gerenciamento dos resíduos sólidos, tendo prazo de 30 dias para resolver o problema com a coleta adequada do descarte de material, como seringas e luvas contaminadas. O CRM-PI também encaminhou relatório técnico para o promotor do Ministério Público local.