Dona de uma paisagem tipicamente piauiense, a cidade de Miguel Alves guarda em suas riquezas as palmeiras do coco de babaçu, nas quais se aproveitam suas folhas, caule e principalmente, o coco. Além de renda, a atividade faz parte da cultura e símbolo de liberdade feminina no interior do Piauí.

Atualmente, as profissionais fazem parte da Associação das Quebradeiras de Coco, entidade que representa as mulheres da região. Segundo a presidente da organização, Alice Pereira, além de um ofício, quebrar coco para as mulheres é um sinônimo de emponderamento..

Coco babaçu é sinônimo de renda, cultura e resistência no interior do Piauí — Foto: TV Clube

Coco babaçu é sinônimo de renda, cultura e resistência no interior do Piauí — Foto: TV Clube

“É uma liberdade. Antes, as mulheres ficavam só em casa, a mercê dos maridos. Hoje, com o movimento da Associação das Quebradeiras de Coco, mostramos nosso grito de liberdade. Participamos de vários movimentos, reuniões, fazemos viagens para ir a encontros”, contou Alice.

No município, o trabalho sustentável envolve cerca de 30 mulheres. Todas elas têm na sua origem história com o coco babaçu. “Aprendi da minha mãe, como inventivo. Desde pequena, é através do coco que a gente vive no interior”, contou a profissional Andrea de Sousa.

“Meu pai também era quebrador”, disse a quebradeira de coco Francisca da Silva.

Alice Pereira, presidente da Associação de Quebradeiras de Coco, conta que o trabalho ressignificou a vida das mulheres. — Foto: TV Clube

Alice Pereira, presidente da Associação de Quebradeiras de Coco, conta que o trabalho ressignificou a vida das mulheres. — Foto: TV Clube

Das palmeiras para o comércio

Para cada 2 quilos de amêndoas, retiradas do coco, é possível produzir um litro de azeite. — Foto: TV Clube

Para cada 2 quilos de amêndoas, retiradas do coco, é possível produzir um litro de azeite. — Foto: TV Clube

Conhecida por ser uma árvore que tudo se aproveita, como dizem na região, o coco babaçu tem como produto mais procurado o azeite. As quebradeiras explicam que para cada dois quilos de amêndoas é possível produzir um litro do produto. O processo passa por torragem, cozimento até ser moído e extraído o azeite para engarrafamento e ser vendido no comércio.

Outro produto bastante procurado é o óleo do coco, que se diferencia do azeite no processamento. Francisca explicou que há diferença no azeite para óleo. “O óleo, a gente mói cru, deixando ele para coalhar e virar borra”, detalhou Francisca.

As mulheres ressaltam que antigamente para moer o coco eram utilizados pilões, mas que atualmente se utiliza um maquinário, alimentado por carvão feito da casca do babaçu. Outros produtos são feitos do coco babaçu, como os biscoitos feitos do pó das amêndoas, ricos em fibra. 

“Tudo por aqui é aproveitado”, contam as quebradeiras.

Pó do coco do babaçu é utilizado para fazer biscoitos — Foto: TV Clube

Pó do coco do babaçu é utilizado para fazer biscoitos — Foto: TV Clube