Citando Esperança Garcia e Marielle, Mangueira é a campeã do carnaval do Rio

Escola recontou a história do Brasil a partir de heróis negros e índios, inclusive Esperança Garcia, escrava piauiense. Viúva de Marielle Franco, vereadora do PSOL morta em março do ano passado, desfilou na última ala.

 

A Mangueira é a grande campeã do carnaval 2019 do Rio de Janeiro. A Imperatriz Leopoldinense e a Império Serrano foram rebaixadas.

Para conquistar o seu 20º título, a Mangueira deu uma aula de história na Sapucaí. Mas foi uma história alternativa, com destaque para heróis da resistência negros e índios em vez dos personagens tradicionais das páginas de livros escolares.

O enredo “História pra ninar gente grande” foi assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira e contado em 24 alas e cinco alegorias. Em busca do título, a Mangueira exibiu uma bandeira do Brasil com as cores da escola no final do desfile.

O desfile da Mangueira  foi marcado por homenagens. Uma delas foi especial para o Piauí e lembrou a escrava Esperança Garcia, considerada a primeira advogada do estado. A personagem histórica ganhou vida na fantasia e entusiamo da rainha de bateria Evelyn Bastos.

 “A Esperança Garcia hoje na minha fantasia representa o pobre, o favelado e, sobretudo, a mulher negra, porque nosso comprovante de residência já sofre um preconceito.Mas resolvemos retratá-la em forma de rainha. É uma homenagem”, disse Evelyn em entrevista à imprensa carioca.

Esperança Garcia foi uma mulher escravizada que viveu na região de Oeiras, na fazenda de Algodões, cerca de 300 km de Teresina. Sua história se destaca por sua coragem em ter denunciado os maus tratos sofridos por ela, suas companheiras e filhos, por meio de uma carta ao governador da Capitania de São José do Piauí, Gonçalo Lourenço Botelho de Castro. A petição é datada de 06 de setembro de 1770.

Rainha da bateria é Esperança Garcia

A rainha de bateria da agremiação Evelyn Bastos representar essa mulher forte do Piauí, que deu voz aos excluídos e ficou marcada para sempre no Estado. “A fantasia foi bem simbólica. A ideia não era abordar apenas a questão do racismo, queria falar com todas mulheres sobre assédio; trazer coragem e esse exemplo de força. Sabia que iria tocar as pessoas. E escola de samba, na verdade, é escola de vida. No desfile, vou interpretar outra escrava, Esperança Garcia, a primeira mulher advogada do Piauí

A escrava ganhou título simbólico de primeira mulher advogada do Piauí no dia 27 de julho de 2017, após decisão do Conselho Estadual da Ordem dos Advogados do Brasil, secção Piauí. O requerimento de concessão do título foi feito pela Comissão da Verdade da Escravidão Negra da OAB-PI.

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