Em artigo, professor Monte Filho se manifesta sobre patrimônio histórico de Barras

Rua Taumaturgo de Azevedo. Foto: Patrick Mesquita
“Vez por outra meu amigo Patrick Mesquita posta fotografias de uma Barras atual e, mesmo tendo sofrida a ação inexorável do tempo e a ação predatória da sociedade, encontra ângulos belíssimos que nos encanta.

A última postagem mostra um trecho da rua General Taumaturgo onde ele diz: “Beleza original. Vamos valorizar. Centro histórico de Barras”.

Uma das obras que o nosso povo se orgulhava era a qualidade do seu calçamento, feito cuidadosamente com paralelepípedos talhados nas pedras do rio Longá. Esse calçamento do centro histórico começou a ser construído ainda na primeira metade do século XX no governo do prefeito Chico Luís.

A partir do governo Alberto Silva quando asfaltou a rodovia Teresina – Barras (PI-113) surgem histórias, a cada novo prefeito, de passar asfalto nas principais ruas de Barras.

Sempre fiz parte do grupo de barrenses contra esta medida argumentando a tradição, a beleza e a qualidade do nosso calçamento no centro da cidade ou mais precisamente no entorno duas praças centrais (Senador Joaquim Pires e Mons. Bozon).

Conheço muitas cidades no interior de Minas Gerais: Sabará, Mariana, Ouro Preto, no interior do Rio de Janeiro: Paraty, Buzios e no Recife Velho que conservam suas ruas com calçamento para orgulho de seus filhos e dos visitantes. Porque não Barras?

Lamentavelmente a qualidade deste calçamento vem sofrendo muito com a ação, principalmente, do serviço de águas e esgotos que cotidianamente vem mutilando esse nosso chão que está completamente desfigurado, cheio de buracos e ondulações. Começo a pensar diferente e admitir nova roupagem.

Sempre fui contra a demolição da Igreja Matriz, do Quiosque da Praça Senador Joaquim Pires, do Cemitério da Rua São José, da Praça Mons. Bozon, do Teatro Municipal, a mutilação do Mercado Central com a construção daquele apêndice e ainda, a demolição de construções centenárias do centro histórico.

Compreendo a necessidade de asfaltar ruas de maior mobilidade e a isso nada me oponho.

Em virtude destes meus posicionamentos alguns me chamam de conservador, outros de provinciano e ainda tem uns que me chamam de um amante irrecuperável de Barras. Chamem como quiserem só não vão calar minha voz na defesa de minha querida cidade natal Barras do Marathaoan.

Nunca tive poder administrativo eleito para interferir nos destinos de Barras, embora tenha sido diretor do hospital no mandato do prefeito Manin Rego onde deixei marcas do meu perfil administrativo.

Força se é que eu tenho é o da minha voz, da minha opinião e do meu texto sempre preocupado com as coisas da minha terra.

Faço parte de grupo de barrenses que tentamos por três vezes levar a Universidade Federal para Barras e não deu certo por falta de empenho da municipalidade; conseguimos a construção, via UFPI, de um Mausoléu grandioso para guardar os restos mortais e a história de David Caldas, Motorista Gregório e Arimatea Tito Filho, lamentavelmente o fracasso veio da falta de parceria e apoio da municipalidade e, ainda não conseguimos sensibilizar o poder público para a criação de um Museu Municipal. Somos uma cidade sem registro e sem guarda da nossa história.

Trôpega, assim caminha a guarda da história da Terra dos Governadores enquanto a conservação do patrimônio histórico de Barras agoniza.

Tenho motivos para acreditar que doravante pode melhor.

Eu te amo Barras e através dos meus olhos e pelos olhos dos meus descendentes quero te vez cada vez mais bela, mais ordeira e progressista.”

 

DEIXE UMA RESPOSTA