Opinião! Demolição do abrigo municipal de Porto é crime contra a história da cidade

Símbolo de várias gerações, espaço de festas, jogos, brincadeiras, onde centenas de pessoas se reuniam para assistir televisão pela 1ª vez em suas vidas e templo dos maiores discursos políticos da história, o abrigo municipal de Porto Piauí foi demolido neste domingo (19) a mando do prefeito Dó Bacelar.

Não foi apenas a memorável estrutura derrubada com a força das máquinas, mas a essência cultural e o calejo de um povo guerreiro que ajudou a construir o município desde os tempos do chão batido para servir à atual e às futuras gerações.

Friamente calculista, sem consultar a opinião da sociedade, o prefeito determinou a destruição em pleno meio dia para que poucas pessoas pudessem testemunhar o crime sendo praticado contra a história de quase 100 anos da cidade. As que viram de perto não seguram o choro.

A justificativa é que será construída uma moderna praça com um luminoso portal obelisco. Mas, por exemplo, o projeto que não inclui a preservação e modernização do abrigo com a criação de um museu municipal para exposição da história local.

Percebe-se, na verdade, o desejo de Dó Bacelar em acabar com os feitos de seus antecessores, que também foram importantes, por meio de intervenções arquitetônicas, causando alterações profundas no campo das relações simbólicas, afetivas e das manifestações políticas e culturais.

Os investimentos que transformam o cenário urbano de Porto não podem ser inconsequentes ao ponto de atropelar as características do povo. Apesar de belo, o obelisco da era egípcia nada tem a ver com a história portuense e apenas servirá para manipulação da opinião pública por um determinado período.

O culpado por este crime terá que ser punido exemplarmente, pois “o povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”. A repetição, nesse caso, é no mau sentido.

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