Secretaria de Saúde confirma três casos de meningite em Barras. Duas mortes

O assunto meningite foi bastante falado no Piauí após a morte do jornalista Egídio Brito no final de setembro. Agora volta à tona com a confirmação de três casos em Barras, conforme consta no Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Sinan, que é alimentado, principalmente, pela notificação e investigação de casos de doenças e agravos que constam da lista nacional de doenças de notificação compulsória. A coordenadora de Atenção Básica da secretaria municipal de Saúde, Gorete Lages, confirmou três casos. Destes, dois morreram.

Os casos não estão sendo notificados em Barras, conforme o longah apurou. Essas confirmações são de pessoas que chegaram em Teresina doentes e tiveram que se internar. Conforme a secretaria de Saúde, as notificações não podem ser feitas em Barras porque não têm laboratório compatível. Por isso são encaminhadas para fazer os examesno Laboratório do Natan Portella, em Teresina.

Informalmente, enfermeira do  Instituto de Doenças Tropicais Natan Portela, antigo HDIC, vários casos da doença estão chegando no hospital vindo do município de Barras.

Há a informação de uma criança da localidade Barreiro, zona rural de Barras, que veio a óbito decorrente da enfermidade. A família reclama de falta de assistência do município. Ele tinha 11 anos e estudava na rede pública do município. “A secretaria de saúde de Barras nunca procurou nem saber e nem tomou nenhuma medida para alertar a população ou evitar contágios”, diz amiga da família.

No Natan Portella, um jovem barrense identificado como Da Silva está internado em estado grave. Ele mora no centro da cidade, próximo à Gráfica do Jean.

Outro paciente está internado no Hospital Infantil Lucídio Portella. Também de Barras.

A coordenadora de Atenção Básica Gorete Lages, falou sobre os três casos. Dois deles morreram. Um caso do Baixão da Liberdade, o do menino de 11 anos, e outro do Bairro Riachinho. “Ao contrário do que disseram, nós fizemos a quimioprofilaxia quando o menino ainda estava vivo. Eles não compraram vacina como andam dizendo. Fizemos também a quimioprofilaxia na família e nos alunos que estudavam na mesma sala que ele”, explica a coordenadora.

Gorete acrescentou que a secretaria de Saúde vai ministrar palestras educativas nas escolas de Barras e em unidades de saúde. Além disso, vão fazer busca ativa através dos cartões de vacina. “O ministério da saúde só disponibiliza vacinas para crianças e adolescentes. Os adultos não estão incluídos”, conta.

A coordenadora alertou para a população evitar contato com vendedores ambulantes que podem ser portadores do vírus da meningite e não ter ainda desenvolvido a doença.

Vacina é prevenção

O médico infectologista Carlos Henrique Neri Costa orienta que a vacinação contra a meningite bacteriana é a melhor forma de prevenção. Ele tranquiliza sobre a transmissão da doença e fala que o risco existe apenas para pessoas que tiveram um contato muito próximo com o paciente infectado.

“A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção para casos de meningite bacteriana. É estar atento ao cartão de vacina. Importante lembrar também que não é necessário ter pânico, não é uma doença que se pega pelo vento. Apenas pessoas que tinham convivência, que tiveram um contato muito próximo com a pessoa infectada devem buscar orientação médica e tomar a medicação necessária”, explica.

Na rede pública, a vacina é oferecida para recém-nascidos e nos meses iniciais de vida. Na adolescência, entre 11 e 14 anos uma dose de reforço também é disponibilizada. 

Na rede privada são oferecidas vacinas para meningococo dos tipos A, B, Y e W 135. O sistema público brasileiro também disponibiliza a vacina para o tipo A, mas apenas em casos de surto.

O infectologista orienta ainda que pessoas adultas com doenças que afetam a imunidade também são alvo da vacina.

Saiba mais sobre a doença

A meningite é uma inflamação nas membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal, geralmente causada por infecção. Os tipos principais são a meningite viral (a mais comum) e a meningite bacteriana (menos comum).

A meningite viral é causada geralmente por vírus intestinais, que provocam diarreia. Esse tipo é mais leve e o paciente melhora sozinho em poucas semanas. Não precisa, de modo geral, de antibióticos e de internação. Não é fatal e não costuma deixar sequelas.

Já a meningite bacteriana é grave, apesar de ser mais rara. Pode ser causada por diversas bactérias que tem o poder de chegar nas meninges, mas atualmente duas delas são as mais importantes: o pneumoco, causador também de sinusite e pneumonia, e o meningococo. O quadro é agudo e dramático, configura uma emergência médica. Exige internação imediata (geralmente em UTI), isolamento respiratório para evitar contagio de outras pessoas, antibiótico imediato.

– É um quadro com risco de vida e sequelas, mas tratado a tempo e incisivamente pode ter evolução também satisfatória – explica o neurologista Leandro Telles.

Os sintomas principais são: dor de cabeça (geralmente constante e difusa), náuseas e vômitos, sinais gerais de infecção, como febre, calafrios, dores no corpo, mal-estar. No caso da meningite bacteriana, mais grave, o paciente pode ficar sonolento, confuso e surgir leões avermelhadas na pele.

O tratamento depende do tipo. Na meningite viral, usa-se medicação para os sintomas de febre, dor e náuseas. O paciente deve ficar em repouso e se recupera sem necessidade de antibiótico ou de internação. Na meningite por bactérias, o antibiótico deve ser dado rapidamente e na veia, o paciente fica internado em UTI para receber cuidados intensivos.

A transmissão da meningite viral ocorre por contado com pessoas portadores do vírus (secreções orais), alimentos, água e mesmo utensílios contaminados. No caso da bacteriana, o principal meio de contágio é o contato com pacientes doentes ou mesmo portadores assintomáticos da bactéria. Ele reside na cavidade oral e passa de pessoa para pessoa por gotículas expelidas durante a respiração e tosse. Importe frisar que não basta ter contato com o vírus ou a bactéria, é preciso que haja uma predisposição imunológica para que o contato se manifeste como uma meningite.

A prevenção é feita com medidas gerais, como lavar as mãos, alimentar-se bem, evitar contato com secreção oral de pacientes com infecções virais ou bacterianas sem tratamento. Outra recomendação é a vacinação, disponível para o Pneumococo, Haemófilos e para o Meningococo tipo C.

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