Em meio a bares, festas, carreatas, comícios, shoppings, etc., a vida segue seu passo cosmopolita e de repente, como parte da rotina matinal, está lá: 5.381.224 casos e 156.926 mortes, vítimas do COVID-19, as 10h do dia 25/10/2020.

 Como não lembrar de Lulu Santos “Eu vejo a vida melhor no futuro, eu vejo isso por cima de um muro, de hipocrisia que insiste em nos rodear…” e ao mesmo tempo conjugar com o discurso do Presidente da República Jair Bolsonaro no dia 24 de março de 2020 que citou os efeitos do Coronavírus a sua pessoa como sendo uma, “… uma gripezinha ou um resfriadinho …”.

 Hoje, 25/10/2020, 07 (sete) meses após o referido discurso que pedia preservação dos empregos conjugado com a ideia de proteção à vida, a sensação de hipocrisia cresce

Sim! Estamos em uma pandemia! Que vitimou conhecidos, amigos, familiares! Temos todos hoje algum ente querido envolvido nesta trama, seja internado, seja assintomático ou infelizmente falecido.

Sim! Estamos em uma pandemia! Retomamos nossas atividades, seja de forma remota, presencial ou hibrida! Estamos, todos, nos aglomerando seja no supermercado, pela necessidade alimentar, nos restaurantes, pela preservação da vida social, ou no trabalho, pela preservação de nossos empregos! Que o digam os políticos, que expõe suas famílias e a dos seus apoiadores.

A natureza humana, incompreensível para uns, previsível para outros, tem o mesmo objetivo: sobrevivência. Quando Hobbes teceu sua obra Leviatã certeiramente observou a necessidade de um ente que pudesse assegurar a ordem, pois caso contrário, o ser humano, viveria em um estado de guerra!

 Hoje, lutamos pela sobrevivência, em leitos de UTI’s, em guichês de atendimento ao público, seja pela vida, seja pelo trabalho. Nos expomos, pela preservação do afeto, pela manutenção de nossos empregos, ao contágio do novo Coronavírus.

Esses Tempos Modernos no qual após 07 (sete) meses liquefizeram diversos institutos e instituições sociais, como o conceito de afeto, do âmbito físico para o virtual, o de despedida, do velório para um simples adeus ao caixão fechado, o de trabalhador formal para o contrato digital em aplicativo.

 Para muitos a vida deve seguir, a convivência com o vírus seria natural. Contudo, ao nos depararmos com a realidade visceral e dolorosa com que o vírus assola famílias, percebemos o quanto hipócritas nós somos.

Lives, bares, festas, restaurantes, comícios, carreatas, aglomerações, etc., enfim, como estamos sendo hipócritas, ponderando menos ou mais a nossa existência, a nossa vida, com outros direitos, como trabalho e lazer.